Se podes olhar, vê! Se podes ver, repara! José Saramago, "Ensaio sobre a cegueira"

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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Só o belo nos faz sofrer....

Há já alguns anos... sensivelmente década e meia... comprei um edição especial - desenhos e poemas - desta obra maior de Joaquim Pessoa...
Frequentemente... leio e releio... estes poemas... e a cada leitura... sinto-me a Isa...  de que fala o poeta...
... semelhança de nome... de sentires... de interrogações... talvez semelhança de sentimentos...
Adoro... apesar da dor...
Só o belo nos faz sofrer...



" Se ao menos soubesses tudo o que eu não disse
ou se ao menos me desses as mãos como quem beija
e não partisses, assim, empurrando o vento
com o coração aflito, sufocado de segredos;
se ao menos percebesses que eram nossos
todos os bancos de todos os jardins;
se ao menos guardasses nos teus gestos essa bandeira de lirismo
que ambos empunhamos na cidade clandestina
Quando as manhas cheiravam a óleo e a flores
e o inverno espreitava ainda nas esquinas como uma criança tremendo;
se ao menos tivesses levado as minhas mãos para tocar os teus dedos
para guardar o teu corpo;
se ao menos tivesses quebrado o riso frio dos espelhos
onde o teu rosto se esconde no meu rosto
e a minha boca lembra a tua despedida,
talvez que, hoje, meu amor, eu pudesse esquecer
essa cor perdida nos teus olhos."
Joaquim Pessoa in "Os olhos de Isa"

domingo, 15 de maio de 2011

De noites...




A noite é... sempre foi....  para mim a parte preferida das 24 horas do dia...
Com o passar do tempo... relembro noites...

Como a mais importante da minha vida,  de uma terça 02 de Abril... em que chegaste a este mundo cruel... amor da minha vida... minha filha...
Muitas relembro...  como momentos de alegria, diversão, loucura, amizade, partilha e ir... (porque fáziamos questão) ... ver o nascer do sol ao "Sto. António"... todos... amigos, amigas, irmãos, irmãs... que saudades...
Outras ainda... de muita alegria, amizade, de muita cultura, de desafios, de loucura,  de paixões... de muitos lugares... de muitas pessoas... Lisboa... Paris... que saudades...

As únicas de que não tenho saudades... são... infelizmente... as que mais se vão repetindo... de insónias... de angústias,  de tristeza, de dor... como esta hoje... em que me sinto capaz de escrever os versos mais tristes...

Obrigada Pablo Neruda... por já ter escrito...

Tarde de silêncio...

Um fim de tarde em silêncio... tanto silêncio...
De silêncio... um desses silêncios... por analogia...  trouxe à memoria... Silent Poets... que trazem à memoria... outro ser... outra cidade...  outra idade...
Mas não... outra vida... !
JPL... hoje à distância de tantos anos... mágoas à parte...  sou mais "Eu" por te ter conhecido e contigo ter privado. Bem hajas!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Certas coisas não se explicam.
Não existem palavras que as descrevam ou soluções que as resolvam .
Sentimentos, gestos, sonhos e sorrisos. A alma entende...


terça-feira, 10 de maio de 2011

Livros da minha vida...

... OLHARES...

"Todos nós temos necessidade de ser olhados.
Podíamos ser divididos em quatro categorias consoante o tipo de olhar sob o qual desejamos viver.
A primeira procura o olhar de um número infinito de olhos anónimos ou, por outras palavras, o olhar do público.
Na segunda categoria, incluem-se aqueles que não podem viver sem o olhar de uma multidão de olhos familiares.
A terceira categoria é a categoria daqueles que precisam de estar sempre sob o olhar do ser amado. 
Finalmente, há uma quarta categoria, bem mais rara, que são aqueles que vivem sob os olhares imaginários de seres ausentes.
São os sonhadores."
Milan Kundera, A insustentável leveza do ser, 1984




Livros da minha vida...

"Vamos ficar por aqui, a fazer aquilo que podemos e sabemos, certos de que fazemos muito pouco em relação aos sonhos que moram no nosso destino e que talvez façamos muito se tivermos em conta aquilo de que somos feitos."

António Alçada Baptista, O Riso de Deus, 1994